Resgatando os amigos distantes.

Se eu posso dizer que alguma pessoa foi absolutamente boa e amorosa em minha vida é a D. Maria do Carmo.
Quando me recordo de alguma passagem em minha adolescência e mocidade que envolvia Dona Maria e sua família inteira sempre é lembrança alegre, divertida, cheia de carinho. Acho que eles foram minha “tábua de salvação” em meio a uma família (minha) desestruturada.
Recordo-me que saía de minha casa para ir passar as tardes na casa de D.Maria, junto à ela e seu marido, sr. Geraldo, na oficina de lantejoulas e olhinhos artesanais de vidro para bichinhos de pelúcia que eles faziam e me distraia pintando os olhinhos para ela, enquanto conversávamos ou mesmo quando ficávamos quietos. Era a paz que eu precisava e sempre recebi naquele Lar.
Depois, quando chegava a tardinha, D.Maria olhava para o relógio, se levantava de seu balcão e descia para preparar um café, mas AQUELE café, cheiroso, com bolo caseiro, pão com manteiga Aviação, que os meninos todos esperavam avidamente. Acontece que eles (sr. Geraldo e D.Maria) tiravam os meninos da rua e os “empregava” como ajudantes(aprendizes) para pesagem e ensacamento de lantejoulas, o que dava uma renda extra para suas famílias e evitava que eles ficassem no ócio, armando confusão nas ruas. Nenhum destes meninos se desvirtuou e hoje são homens crescidos, com boas recordações daquele tempo.
A generosidade desta gente sempre foi muito grande, não em bens materiais, mas em atenção e carinho. Uma palavra de orientação, um ouvido atento às nossas reclamações, uma bronca (sr.Geraldo) sempre bem dada no momento certo, o ombro no momento do choro, coisas que não se vende nas lojas de brinquedos e que muita gente paga anos e anos de terapia para ter…
Revi ontem minha querida amiga e suas duas irmãs, Hilda e Beatriz, todas já bem velhinhas, com as cabecinhas aureadas pelos cabelos cor de prata. Levei minhas filhas com orgulho para conhecerem essas pessoas tão lindas e sua cidade, Rio Claro – SP, com suas ruas limpíssimas, retas, bem calçadas, e seu povo bom e gentil.
Mostrei-lhes o outro lado da vida, o lado bom, puro e generoso, que ainda existe e não é “milagre de Natal”. O convívio com pessoas que estão interessadas em ouvir o que você fala e que têm a fala mansa, bem medida, sem alterar a voz.
E em cada casa que a gente visita tem que tomar um “cafezinho”, senão a dona da casa fica chateada, mas que nunca é só um cafezinho, mas uma mesa cheia com bolo caseiro, bolachas, pão, manteiga, frios,…eles põe de tudo para agradar a visita (como se o amor deles já não nos tivesse alimentado!).
A mesa farta de carinho e atenção, de preocupação se você está se sentindo bem.
Minha amiga de cabeça prateada agora está com seus 80 anos, mas não aparenta ter 60. Mexe nas plantas(ela tem o dedo verde pras plantas!), abaixa, levanta, cozinha, arruma, anda pra cá e pra lá. Coisa de gente do interior, que tem saúde e não se entrega tão fácil, que vê o lado positivo da vida, que vai à igreja com vontade, que ajuda o vizinho quando ele precisa e que sente nossa falta quando deixamos de aparecer.
Rever essa família tão querida me fez recordar dos tempos em que em meio ao tumulto encontrávamos forças para seguir em frente…e seguimos.
Que minhas pequenas se recordem deste dia e destas pessoas como um carinhoso momento. Que possam contar aos seus amigos que conheceram uma cidade tão gostosa como Rio Claro e que lá vivem pessoas de tão bom coração.
Que Deus continue a abençoar esta família e que proteja minha querida amiga em todos os dias de sua vida.

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