31 de dezembro de 2012 – Final de Ano

Eu já publiquei uma reflexão no meu outro blog – Cyblog da Cybele – sobre a Corrida de São Silvestre, de maneira que não vou me repetir neste, mas sim colocar um colorido mais retrô e familiar.
A lembrança do final de ano que nós, os paulistanos que são da minha geração (1950/1960), tínhamos era a de ficar esperando a Corrida de São Silvestre à noite, por volta das 23 horas, quando muita gente ia até o percurso prestigiar os corredores (em frente ao prédio da Gazeta e seguindo pela Av. Paulista) ou ficava grudada na TV vendo todo o trajeto.
Minha bisavó Joaninha Meloni (que todo ano comemorava 86 anos!) era uma das fãs da Corrida e acompanhava tudo com muito gosto e com os comentários de sua geração: “- Ah! O corredor africano venceu de novo! Também pudera: eles vivem fugindo todo os dias dos leões, eles têm que correr bem daquele jeito!” E quando um brasileiro chegava a uma boa posição ela e meu avô João ficavam exaltados.Meu avô era corredor no seu tempo de soldado do Exército Brasileiro (idos de 1920) e ganhou algumas medalhas nos jogos internos.
E como éramos classe média baixa, descendentes de italianos pobres e trabalhadores, não tínhamos muitos luxos nas comemorações: a “vó Cecília” assava um pernil, fazia um cuscus, cozinhava algumas castanhas portuguesas (nosso luxo!) e comíamos muitas uvas niágara, pêssegos, melancia e figos frescos. Tinha vinho de garrafão, que também era usado para fazer “sangria” para as crianças (nós bebíamos e dormíamos cedo, por que será?!?). Um “champanhe” Cereser doce (porque a bisavó gostava). O guaraná era o Antarctica de garrafinha e tampa com rolha no fundo. Chegava meia-noite, todos nos cumprimentávamos e logo cada um seguia para sua casa. Reuníamos no dia seguinte para o almoço, com macarrão feito em casa e o “rescaldo” da noite anterior. Nada de estresse. Nada de roupa especial para dar sorte, somente as pessoas juntas conversando e as crianças brincando no quintal.
Enquanto eu escrevo esta última postagem de 2012, escuto a reportagem da TV Gazeta, que ficou ligada para eu acompanhar o resto da São Silvestre, com um “show erótico” de final de ano de um “famoso” e suas bailarinas sexuais no palco. Que pena! Merecemos coisa melhor do que isso.
Tudo tem que mudar, mas para melhor, a meu ver.
Mudar só por mudar nada significa, se não se constrói coisa útil para quem está ao nosso lado. Não vejo mudanças aqui: vejo retrocesso. Voltando como se estivéssemos nas fazendas de engenho e senzalas, com os escravos servindo aos senhores, só que com o agravante destes escravos (e principalmente as escravas) estarem entorpecidos(as) por uma falsa liberdade de expressão e pelos produtos “chig-ling” facilmente encontrados em qualquer camelô.
Para os que não estão anestesiados, felicidades no seio de suas famílias e com os bons amigos de sempre!!! Muitos abraços, muita conversa, muitas risadas.
Poucos abusos e muito cuidado com excesso de bebida e os fogos de artifício (combinação nada indicada!).
Comam coisas boas, mas acima de tudo muitas frutas!!
Felicidades para todos em 2013!!
dezembro12 105

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