Crianças chatas

Hoje cheguei a formular uma hipótese de que a “educação é inversamente proporcional ao nível de intensidade utilizado na voz de uma pessoa: (E= 1/barulho)”.
Ou complementando: o “nível de educação é inversamente proporcional ao nível de intensidade versus freqüência utilizada de voz: E=1/I.Fo”
Eu aqui nem coloco a questão das “palavrinhas mágicas” (Por favor, Com licença, Obrigado, Desculpe, Bom Dia, Até logo),as quais não mais existem no vocabulário da atual classe social emergente.
É muito mais simples o “deixar pra lá” do que educar; é mais confortável não chamar a atenção de uma criança chata e inconveniente do que ensiná-la a se comportar de acordo com o ambiente; é melhor para os pais deixarem os filhos fazerem algazarra do que se cansarem em dizer “não” e educar.
Educar é cansativo,dá trabalho,requer atenção com o outro e que se tenha algo para transmitir, além de persistência e paciência.
Eu até entendo o porquê das crianças de meu país serem tão barulhentas e sem limites,na sua maioria.Em parte,porque a atual geração de pais (que contam com idade por volta dos 14 a 30 anos) não recebeu nenhuma educação, seja formal ou de base familiar.Fruto de um abandono generalizado, adoçado com a capa da modernidade e do “olhe como sou melhor que qualquer um dos outros”.Geração criada para acreditar que tudo gira ao seu redor, que trabalho é coisa de bestas, que não é necessário nenhum esforço pessoal pois tudo lhe será dado,tal como ração aos frangos até engordarem para o abate.
Existem crianças que chegam em locais públicos falando aos gritos, empurrando e pisando, interrompendo a conversa de adultos para chamar a atenção para si, mexendo e derrubando, choramingando quando não atendidas imediatamente. A energia ao seu redor é ruim, não é a de uma agitação saudável, mas de algo parecido com radiatividade, ao invés da eletricidade 220 W, como deve ser em crianças bem resolvidas. Algumas pouquíssimas até têm comprometimentos diversos para assim se manifestarem, mas o que vemos na maioria é um total abandono destes seres, que crescem à deriva, sem nenhuma orientação, posto que seus pais, frutos de anos e anos da também falta de orientação,não têm nenhum conteúdo a lhes transmitir.
Em minhas andanças pelo supermercado é comum ver crianças que falam aos berros e em tom mais infantilizado do que o esperado para sua faixa etária.É possível escutá-las três ou quatro seções adiante sem que seus pais digam sequer uma vez:”-Pode falar mais baixo,que eu estou te ouvindo.”
Noutro dia, entrei numa loja de tapetes, comprei o que precisava e fui ao caixa pagar. Como era dia 2 de janeiro, suponho que a jovem mãe sem ter com quem deixar seu filho o trouxe ao serviço. Assim que entreguei a nota a criança começa seu espetáculo, mexendo na calculadora, tirando o fone do gancho. Perguntei para ele se estava ajudando sua mãe. Pronto! Foi a deixa! A criança “angelical” transformou-se,levantou-se da cadeira, andou em círculos e em vai e vem, gritando que se chamava “alguma coisa com um monte de th+y+son” e que não ia falar comigo!Assim, do nada. A mãe nada falou, não o repreendeu por sua grosseria e continuou a passar meu cartão na máquina, passivamente. Respondi olhando bem nos olhos do monstrinho: “EU é quem não vai conversar com você.” Ele estancou, sentou, continuou a olhar para o próprio umbigo, sem obter da mãe a reação que provavelmente ele queria, mas também sem receber a educação que deveria ter recebido, ali, naquele momento, quando avançou os limites e tratou uma pessoa mais velha como se fosse um objeto.
Então, o “alguma coisa com um monte de th+y+son” no nome (coitado, vai passar a vida inteira soletrando o nome para fazer qualquer documento, porque a mãe achou bonito), assim como os “João Marcos”, “Pedro Henrique”, “Lucas Felipe” (classe média adora colocar nomes duplos) acabam sendo condicionados pelo meio ambiente a acreditarem que são os seres mais importantes do Universo, mesmo que não tenham recebido nenhum conteúdo, crescendo como pessoas egocêntricas,sem criatividade, sem força de vontade e sobretudo, sem amor ao próximo.
A Egolatria transforma crianças bonitas e curiosas em crianças chatas e arrogantes.
Talvez, suponho, por não terem tido base, nem atenção, daí a necessidade de gritar, para fazer-se existir.
Então “E=1/I.Fo”

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Uma resposta em “Crianças chatas

  1. Concordo plenamente com tudo que foi dito, amei a matéria; sou mãe e também não suporto crianças mal educadas; principalmente que só falam gritando, apesar de saber que a culpa de serem assim não é delas. É realmente da má educação que seus pais também não tiveram.

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