35 anos do QFO – Quadro Feminino de Oficiais da Aeronáutica


A primeira Turma do QFO comemorou no dia 9 de dezembro de 2017 em São Paulo, SP, seus 35 anos de criação.
Nossa turma recebeu o nome de Demoiselle, em homenagem ao lindo aeroplano de Santos Dumont, cujas linhas são admiradas por sua delicadeza.
Abrimos o caminho para que outras mulheres pudessem se colocar no campo de trabalho, antes tido como exclusivamente masculino. Sofremos injustiças, preconceito, discriminação, mas hoje vemos que nosso esforço em mostrar o valor do trabalho feminino nas Forças Armadas valeu a pena.
Hoje, 35 anos depois, estamos todas na reserva remunerada. Trabalho cumprido, hora de partir para outras aventuras.

 

Anúncios

A primeira história de Olga…

Quando ainda estava trabalhando para a FAB como fonoaudióloga e militar, tive que comparecer a uma série de representações, comuns em nosso meio.
Em 2007 a minha turma, a primeira turma de oficiais do quadro feminino, cobaias deste sistema, completou 25 anos de resistência. E, embora nós de São Paulo tivéssemos tido a idéia de comemorar o evento 2 anos antes (em 2003 já nos reuníamos para tentar resgatar material para a "comemoração"), o setor de comunicação da Aeronáutica falhou conosco e foi empurrando com a barriga, até que num último momento surge uma "comissão", ninguém sabe de onde, ninguém sabe com quem, e resolve que as comemorações seriam em Barbacena e não nos Afonsos, onde as duas primeiras turmas se formaram. Teve pararã-pan-pan, banda de música, homenagem à dona maricotinha de não sei quem das quantas e até um busto de uma mulher representando uma oficial (muito bonito, por sinal).
E como não se poderia deixar de acontecer, no Mês da Asa (outubro), todas as comemorações tiveram uma menção sobre os 25 anos da Mulher na FAB.
Foi aí que Olga surgiu com tudo:
Culto Evangélico na Primeira Igreja Batista de São Paulo.
Em meio a toda concentração, nós ouvimos o jovem pastor que nos "intimidou", sem nenhum aviso prévio, a subir ao palco para cantarmos o Hino do Aviador. Detalhe: ele mais moderno, chamando as antigonas para cantar. Fica um tal de vai-não vai-vai-não vai, até que o burburinho aumentou e o clima ficou tenso demais.
O jovem pastor fez oficiais mais antigas que ele pagarem um super mico!!
Ingenuamente, algumas de nós pensaram que teria legenda, caso no nervosismo da exposição, trocássemos as estrofes. Tolinhas: não havia.
E subimos ao palco e praticamente dublamos o coral atrás de nós, tal como papagaios treinados!!
Ou melhor, no melhor estilo mexicano, cantamos como pudemos e descemos sem olhar para trás.
No dia seguinte, outro super mico:
Missa no Mosteiro de São Bento!
Uma das carolas, para mostrar serviço ao padre, resolveu de última hora, sem explicar como seria a entrada e a saída, que as mulheres militares deveriam entrar em procissão carregando velas e flores até o altar. Um festival de improvisação, que só não ficou pior devido ao nosso jogo de cintura de 25 anos de pagação de mico!!
Terminados os dois "eventos", peguei meus lápis de cor e me coloquei em posição de sentido na frente da folha branca, até que Olga apareceu e tomou conta do cenário. Desde então, tudo o que era engraçado era comentado e desenhado, com Olga, a papagaia, numa nova situação.
Quero contar cada uma das histórias dos desenhos, se vocês tiverem paciência.
 
 
 
 
Prometo que serei mais breve do que este artigo.
 
 

Encontro das QFO em S.Luis do Paraitinga, em 08MAR08

Deu muito trabalho mas saiu!
Graças à ótima referência que Iraci nos deu e ao esforço hercúleo da Joselma, o Encontro de QFO em São Luis do Paraitinga cativou a todos.
Começando pela Pousada Primavera, que tem tudo caprichado, arrumadinho, bonito, florido, bem típico da região. Lá, tudo foi perfeito.
A cidade transborda cultura caipira, linda e maravilhosa, em todos os acordes de uma viola e todas as palavras de um bom causo! Estilo colonial, com um povo bom, honesto, simpático, que não tem vergonha de ser caipira. O ecoturismo, o turismo religioso e histórico vem sendo impulsionador do local. Os habitantes também preservam a natureza, sendo bons observadores de sacis, os quais são mantidos em liberdade. Ali não se observam ETs: observam-se sacis! Não se comemora "Hélouin", comemora-se o Dia do Saci (31 de outubro).
E o Encontro? Muito gostoso rever as amigas de tantos anos. Algumas não se viam desde os tempos dos Afonsos! Foram cerca de 30 QFO, não só da 1.a turma, que se divertiram e conversaram muito.
Muitas fotos, muitos álbuns, muitas lembranças.
E, para variar, muita pagação de mico também!!
Retorno bom: as meninas das outras turmas QFO estão se aproximando cada vez mais!!!E se lamentaram não haverem vindo antes.
Esperamos que mais gente venha ao próximo Encontro, traga mais fotas ainda, conte mais casos, enriqueça nossas vidas com as suas histórias.
A todas as amigas que ali estiveram, deixo meu carinho e abraço fraterno.
DSC01106-1DSC01112-1DSC01118-1DSC01119-1DSC01120-1DSC01121-1DSC01122-1DSC01125-1DSC01128-1DSC01130-1DSC01132-1DSC01136-1DSC01142-1DSC01143-1DSC01151-1DSC01138-1DSC01146-1DSC01159-1DSC01164-1DSC01167-1

O que será da FAB sem a Mulher?

O QUE SERÁ DA FAB SEM A MULHER?

 

Durante todo o período de organização da XIII Mostra de Artes do HASP, que em particular homenageou a presença da MULHER em suas fileiras, vários pensamentos surgiram com o tema “A Mulher na Força Aérea Brasileira”.

Embora já tenha se passado 25 anos desde que nós, as primeiras tenentes QFO, fomos designadas para as diversas funções onde haviam gritantes lacunas a serem preenchidas, pouco foi feito no sentido de aproveitar melhor todo o potencial destas mulheres voluntárias e determinadas.

O Quadro Feminino de Oficiais (QFO) foi extinto, depois mulheres médicas, dentistas e farmacêuticas foram admitidas pelos concursos CAMAR, CADAR e CAFAR e finalmente surgiu o Quadro Complementar de Oficiais da Aeronáutica (QCOA).

Uma nova geração surgiu 25 anos depois do ingresso da primeira QFO, pode-se dizer até que da idade de que nossas filhas teriam: as oficiais aviadoras e intendentes. E a mídia muito valorizou este fato, como se até então mulheres militares fosse novidade.

Nossa geração teve seu tempo…e agora dá lugar a uma outra geração, que deverá gerar outra ainda melhor e melhor e melhor…pois assim é a evolução. No entanto, inevitavelmente, o sentimento de tristeza vem quando penso em todas as mulheres enfermeiras, fisioterapeutas, fonoaudiólogas, psicólogas, assistentes sociais, nutricionistas, bibliotecárias, pedagogas, analistas de sistemas que agora deixam a Força, após tão longo período de dedicação conquistando lentamente seu espaço no meio militar…meio até então estritamente masculino. Estas mulheres que aqui chegaram e organizaram as seções, conquistaram com sua sabedoria o contingente e implantaram importantes inovações, hoje estão indo embora. O quanto disso restará? Como ficarão os hospitais e os esquadrões de saúde sem a mulher para ali batalhar?

Nós, mulheres, somos o complemento, o apoio, a força, a determinação e a persistência que a FAB precisa.

Somos a “outra asa” do Sabre Alado.

Exponho numa colagem minha um triste pensamento, de como vejo a Força Aérea Brasileira sem nossas mulheres militares.

Que seja apenas um mau sonho…

Que as nossas valorosas jovens guerreiras continuem a boa batalha, que possam ser felizes e mostrar o melhor de si também.

 

Cybele Belschansky – Ten.Cel. QFO Fonoaudióloga

         QuedaQFO QuedaFAB